Tour de Algoritmos
Como a inteligência artificial está entrelaçada em tudo o que a Menlo Tech faz.
Role para começar o tourNa Menlo Tech, transformamos dados de um negócio em páginas que as pessoas encontram — e que os mecanismos de IA citam. Nossos clientes têm milhares de assuntos legítimos para cobrir (cidades, bairros, produtos, integrações, regras), mas nenhuma equipe editorial consegue escrever, revisar e manter tudo isso à mão.
É aí que entram os algoritmos. Eles decidem quais assuntos merecem uma página própria, como ela deve ser montada, quando ela vai ao ar, se continua no ar e o que a plataforma aprende com cada resultado. Agentes de IA fazem o trabalho repetitivo; pessoas fazem o trabalho que exige julgamento. Os algoritmos escolhem quem faz o quê.
Números ilustrativos do exemplo percorrido neste tour.
- Agrupamento de intenções
- Pontuação de viabilidade
- Atribuição por otimização
- Orquestração de agentes
- Detecção de duplicidade
- Lançamento com portões
- Cadeias de Markov
- Previsão de demanda
- Lote econômico
- Infraestrutura de dados
Vamos acompanhar o caminho de um único conjunto de páginas — da ideia até a citação por uma IA — para ver alguns dos algoritmos envolvidos. Depois, vamos afastar a lente e olhar o sistema inteiro.
Descoberta de demanda
Tudo começa com uma pergunta simples: sobre o que as pessoas — e as IAs — realmente perguntam?
Coletamos sinais de busca de várias fontes: consultas do Search Console do cliente, sugestões de autocompletar, perguntas feitas a assistentes de IA e o que os concorrentes já cobrem. Cada ponto é uma consulta bruta — milhares delas, ruidosas e redundantes.
Consultas são transformadas em vetores com um modelo de linguagem. Frases diferentes com a mesma intenção (“apartamento em Botafogo”, “morar em Botafogo”, “Botafogo vale a pena?”) acabam próximas no espaço vetorial.
A proximidade é medida por similaridade de cosseno entre os vetores.
Um algoritmo de agrupamento junta as consultas em intenções. Cada grupo recebe um volume agregado, um nível de dificuldade e um tipo de intenção: informativa, comparativa, transacional.
Os grupos são cruzados com os dados que o cliente já tem. Um grupo de intenção com dados de suporte vira um candidato a tipo de página; um grupo sem dados vira uma lacuna a preencher — ou uma ideia descartada.
Viabilidade página a página
Um tipo de página aprovado não significa que todas as linhas da tabela merecem uma página. Esta é a decisão mais importante de todo o sistema.
Imagine o tipo “Morar em [bairro]” para uma rede imobiliária. A matéria-prima é uma tabela: uma linha por bairro, uma coluna por fato — preço médio do m², número de imóveis, tempo até o centro, escolas, parques, estações.
Primeiro, classificamos cada coluna. Colunas-chave identificam a linha; colunas distintivas variam de verdade entre as linhas; colunas cosméticas mudam pouco ou nada. Só as distintivas sustentam uma página.
Depois, pontuamos cada linha: quantos fatos distintivos ela tem que diferem do valor mais comum da coluna? Uma linha com muitos valores próprios vira uma página rica; uma linha que só repete a moda viraria uma página rasa.
Linhas com fatos idênticos são agrupadas em uma única página, em vez de gerar cópias.
O resultado é um veredito em três níveis: construir todas, construir algumas (com a lista exata das que passam) ou construir só uma página-hub. É um filtro conservador por desenho — uma página a menos custa pouco; mil páginas finas podem custar o domínio inteiro.
Agentes + editores
Máquinas são ótimas em cálculo repetido. Pessoas são melhores em julgamento, contexto e tom. O trabalho é dividido por um algoritmo, não por um organograma.
Cada página aprovada recebe uma especificação: quais blocos devem vir diretamente dos dados da linha, qual parcela do texto precisa variar entre páginas (nossa meta é acima de 40%), quais blocos de enchimento são proibidos e qual o padrão de título e cabeçalho.
Um agente de pesquisa reúne os fatos da linha e as fontes externas permitidas. Um agente de redação monta o rascunho dentro da especificação. Um agente de verificação confere cada número contra a origem — um número sem fonte é marcado, nunca inventado.
Mas nem toda página é igual. Algumas são rotineiras; outras tocam em assuntos sensíveis, têm dados contraditórios ou pertencem a um cliente com voz editorial forte. Um classificador estima o risco de cada rascunho e decide se ele segue direto ou passa por um editor humano.
Editores também não são intercambiáveis. Atribuímos rascunhos a editores com um problema de otimização parecido com o de atribuir clientes a armazéns: um custo por par (editor, página) que combina especialidade, histórico com o cliente e o tamanho da fila de cada um — e que é recalculado várias vezes por dia.
O editor trabalha em uma interface construída para entender a página rapidamente: dados da linha de um lado, rascunho do outro, cada afirmação ligada à sua fonte. Testamos variações dessa interface o tempo todo; o que aprendemos sobre como editores decidem volta para melhorar os agentes.
Controle de qualidade
Antes de qualquer página ir ao ar, uma amostra do conjunto é testada contra os dois modos de falha que matam páginas programáticas: quase-duplicatas e páginas rasas.
Pegamos uma amostra de páginas prontas e substituímos o valor-chave de cada uma por um marcador. Se “Morar em Botafogo” e “Morar na Tijuca” ficam idênticas depois disso, a variação era só o nome — e isso é exatamente o que os mecanismos de busca penalizam.
Depois removemos as frases compartilhadas pela maioria das amostras. O que sobra é o texto realmente próprio de cada página. Medimos a parcela variável contra a meta de 40% e comparamos as páginas entre si por sequências de cinco palavras.
Cada página recebe um de cinco rótulos — ok, quase-duplicata, variação só pela chave, parcela variável baixa ou rasa — e uma ação: manter, fundir com outra, ou publicar com noindex até ganhar conteúdo. Nada disso depende de alguém ler mil páginas.
Lançamento em ondas
Mil páginas nunca sobem de uma vez. O lançamento é um experimento com portões, e o algoritmo decide quando abrir o próximo.
Primeiro, a hierarquia: um hub, categorias e as páginas folha, cada nível ligado ao de cima. Os sitemaps são divididos por tipo e por lote, dentro dos limites de arquivo do Google, para que possamos observar cada onda separadamente.
Um piloto pequeno vai ao ar — grande o bastante para ser estatisticamente legível, pequeno o bastante para não doer se der errado. A partir daí acompanhamos três contagens por lote: páginas publicadas, páginas indexadas, páginas indexadas sem nenhuma impressão.
Os critérios de parada são regras explícitas sobre essas razões. Se a taxa de indexação cai abaixo do limite, ou a parcela de páginas indexadas sem impressões sobe acima dele, a onda seguinte não abre. Cada causa tem sua própria ação de reversão: reforçar links internos, enriquecer dados, aplicar noindex ou fundir páginas.
Quando o lote passa, o próximo abre maior. O mesmo mecanismo que acelera um conjunto saudável freia um conjunto doente — e a decisão está registrada, lote a lote, para quem quiser auditar.
Aprender com o mercado
Publicar é o começo, não o fim. Cada página passa a gerar sinais — e esses sinais são a matéria-prima de todos os capítulos anteriores.
Uma vez no ar, cada página tem um estado: publicada, indexada, com impressões, com cliques, citada por uma IA. Registramos cada mudança de estado, junto com tudo o que aconteceu entre uma e outra — uma edição, um dado atualizado, um link novo.
Com milhares de páginas, as transições viram uma matriz. Ela nos diz, por exemplo, qual a probabilidade de uma página indexada passar a ser citada por um assistente de IA em 30 dias — e como essa probabilidade muda quando a página tem uma tabela de dados, uma resposta direta no topo ou uma fonte citada.
Esse é um modelo de cadeia de Markov simples, e ele é surpreendentemente útil: deixa-nos simular o conjunto inteiro meses à frente, comparar tipos de página entre si e identificar quais características de uma página mais movem a probabilidade de citação.
O que o modelo aprende volta para os agentes de redação como regras de especificação, para o classificador de risco como novas variáveis e para a viabilidade como pesos de coluna. O ciclo fecha — e a próxima onda já começa melhor que a anterior.
Previsão e prioridade
Afastando a lente: com dezenas de clientes e centenas de milhares de páginas, o recurso escasso deixa de ser escrever e passa a ser atenção — de rastreadores, de editores e de computação.
Páginas envelhecem em ritmos diferentes. Um guia de bairro muda devagar; uma página de imóveis à venda muda todo dia. Cada página tem um modelo simples de “frescor”: quanto seus dados mudaram, quanto tráfego ela recebe e há quanto tempo foi revalidada.
Esse modelo decide a ordem de regeneração. Em vez de reconstruir tudo a cada hora, regeneramos primeiro as páginas em que o ganho esperado é maior — e o mesmo sinal alimenta o orçamento de rastreamento que pedimos aos mecanismos de busca.
Olhando ainda mais longe, a demanda de busca é sazonal e previsível. Com séries históricas por intenção, antecipamos quais conjuntos de páginas precisam estar prontos — e revisados por pessoas — meses antes do pico, para que a capacidade editorial esteja onde o tráfego vai estar.
Gestão de estoque
Cada venda tira um imóvel da carteira. O desafio é repor na hora certa e na quantidade certa.
Em cada bairro, a carteira de imóveis funciona como um estoque: cada venda ou locação retira uma unidade, e a captação de novos imóveis a repõe. Sem reposição, as páginas de “imóveis à venda” esvaziam e os corretores ficam sem o que oferecer.
O difícil é o momento e o tamanho da captação. Captar demais deixa imóveis parados, anúncios envelhecendo e capital imobilizado; captar de menos deixa o bairro sem oferta. Queremos minimizar a soma do custo de captação e do custo de carregar estoque — este proporcional à área sob a curva.
Somando os dois custos, aparece um tamanho de lote que os equilibra. Captar em lotes maiores dilui o custo fixo de cada campanha, mas infla o estoque; lotes menores fazem o oposto. O mínimo da curva é o lote econômico.
Mexa nos controles ao final deste capítulo para ver o mínimo se deslocar.
A pergunta real é maior: quanto captar de cada tipo, em qual bairro, e quais anúncios antigos baixar para abrir espaço. Respondemos com um modelo da dinâmica do sistema, ajustado ao histórico e usado em otimização robusta, com incerteza quantificada nas previsões de demanda.
x = níveis de estoque por bairro · u = captação, realocação e baixa · w = previsão de demanda. Na prática olhamos cada tipo de imóvel em cada bairro; aqui ficamos no caso simples.
Plataforma de dados
Nada disso funciona sem uma base que deixa cada equipe de algoritmos trabalhar de ponta a ponta sem pedir permissão a ninguém.
Os dados do cliente entram por conectores e viram tabelas versionadas: cada linha carrega a fonte e a data de origem. É essa linhagem que permite ao agente de verificação dizer “este número vem daqui” e ao editor confiar nele.
Em cima disso, uma camada de serviços internos: viabilidade, geração, controle de qualidade, lançamento e aprendizado são serviços independentes, cada um com sua fila e seus registros. As equipes de algoritmos escrevem a lógica; a plataforma cuida de escalar, repetir e observar.
Na ponta, as páginas são servidas estaticamente e regeneradas de forma incremental, página a página, na ordem que o modelo de frescor decide. Para o visitante — e para o rastreador — a página sempre existe e sempre responde rápido; a complexidade fica toda atrás dela.
Há muita coisa acontecendo
Para recapitular o caminho de um único conjunto de páginas: descobrimos uma intenção com demanda real, verificamos linha a linha se há dados para sustentá-la, deixamos agentes montarem rascunhos dentro de uma especificação, roteamos para editores só o que exige julgamento, testamos a amostra contra duplicidade e rasura, lançamos em ondas com portões explícitos, dimensionamos a captação de imóveis contra o custo de manter estoque — e usamos o que o mercado responde para começar a próxima onda melhor.
Esse trabalho está dividido em quatro equipes, três delas alinhadas a uma etapa do negócio e uma transversal a todas.
- Algoritmos de DemandaDescoberta de intenções, viabilidade página a página, previsão sazonal e gestão de estoque de imóveis. Decidem o que vale construir e o que captar.
- Algoritmos de ConteúdoEspecificação, orquestração de agentes, classificação de risco, atribuição de editores. Decidem como construir e quem revisa.
- Algoritmos de DistribuiçãoControle de qualidade, lançamento em ondas, modelos de estado e frescor. Decidem quando publicar, quando parar e o que regenerar.
- Plataforma de DadosConectores, linhagem, serviços internos e entrega. Não carregam lógica de negócio: constroem a base para que as outras três trabalhem de ponta a ponta.
A pergunta que atravessa tudo isso é sempre a mesma: entre o que uma máquina faz bem e o que uma pessoa faz melhor, onde fica a linha — e como medir se ela está no lugar certo?